Coluna do Lauro Jardim – 17/04/2025
O diretório nacional do Cidadania resolveu se posicionar publicamente contra o projeto para anistiar golpistas do 8 de Janeiro, na contramão da maioria de sua bancada na Câmara.
Dos quatro deputados filiados à sigla, três assinaram o requerimento de urgência referente à proposta, protocolado na última segunda por Sóstenes Cavalcante, líder do PL. Foram eles: Any Ortiz (RS), Arnaldo Jardim e Alex Manente (ambos de SP). Somente Amom Mandel (AM) não aderiu ao pedido.
Mesmo com a adesão dos filiados, a sigla, comandada por Comte Bittencourt, está divulgando uma nota contrária ao perdão dos condenados e acusados pelo golpismo. Mais do que isso: o texto sinaliza que o descumprimento dessa orientação partidária poderá resultar em punições. Diz a mensagem:
“O Cidadania repudia veementemente qualquer atitude de seus membros, seja um simples filiado ou um detentor de mandato em qualquer instância, que manifeste apoio direta o indiretamente a esse tipo de proposta. E caso tal apoio parta de algum parlamentar com mandato na Câmara, será considerado rompimento frontal com os princípios do partido. O posicionamento contrário à direção partidária e à tradição democrática pode resultar em punições estatutárias, inclusive a expulsão do partido”.
Até março de 2026, para efeitos formais, o Cidadania está federado com o PSDB, cuja bancada na Câmara também garantiu adesões ao requerimento de urgência da anistia. Depois dessa data, no entanto, a aliança entre as siglas será desfeita, conforme ficou decidido pelo Cidadania em fevereiro.