O deputado Comte Bittencourt (PPS), saiu em defesa dos professores estaduais hoje no Plenário da Alerj. O parlamentar não gostou de ler matérias onde a secretaria de estado de educação afirma que os docentes se recusam a ser remanejados. “A matéria tenta levar à sociedade uma ideia de que o docente do Estado do Rio de Janeiro é relapso nas suas obrigações. A matéria tenta levar à sociedade como se fosse um absurdo, em um quadro docente de 75mil professores, 7mil estarem de licença, nas suas diversas modalidades: licença de saúde, licença prêmio – que é direito do servidor –, licença especial – que é direito do servidor –, licença maternidade – professora ainda pode ter filhos. Pelo regime do servidor público, ele tem direito a um elenco enorme de licenças. Todos, não são só os professores”, afirmou Comte.
O parlamentar reconheceu, no entanto, que organização se faz necessária em algumas áreas da educação pública do Rio de Janeiro e que houve avanços em uma série de pontos, mas ainda se está muito aquém daquilo que se assumiu como compromisso de campanha. Para ele, o Secretário de Educação também precisa entender que a solução do sistema de educação do Rio de Janeiro não passa apenas por reformas estruturais, cortando despesas, fechando escola, remanejando professor e juntando turma. “Parece que o Secretário está olhando as escolas do Rio de Janeiro como um economista que olha uma linha de produção de enlatados: tudo tem que ser igual. Ele está estabelecendo princípios de gestão de RH onde o professor não pode ter alma. Os 75 mil professores do Estado têm que ser tratados como se fossem todos iguais, sem o Estado lhes dar condições de trabalho”, falou o deputado.
O deputado lembrou ainda sobre professores de Trajano de Moraes que estavam sendo transferidos para a Baixada Fluminense porque se municipalizou a escola do Estado naquele município. Segundo Comte, o setor de recursos humanos da Secretaria de Educação acha que um professor que ganha R$ 1,5 mil por mês, que tem a sua vida estruturada próxima a uma escola naquela cidade, alguns há mais de 20 anos, com uma única canetada de municipalização ou de fechamento de escola, pode ser transferido para uma cidade distante ou para uma escola longe do seu bairro de moradia. Depois, estranha que 800 professores não tenham se apresentado para o remanejamento.
Para Comte, a cada matéria que a Secretaria de Educação traz a respeito dos docentes na mídia, parece que a intenção é colocar a população contra os docentes. “Parece que a intenção é colocar a sociedade contra os educadores que estão dentro da escola do Estado, e não mostrar os problemas que existem nas escolas do sistema estadual de educação, da rede própria do Estado”, concluiu.