O GLOBO Rio
Marcos Nunes
Se algum parlamentar estiver envolvido, poderá ter mandato cassado
Uma sindicância que será instaurada hoje na Corregedoria da Assembléia Legislativa do Rio (Aleri) vai apurar o escândalo da nomeação de funcionários para gabinetes de deputados sem que as pessoas soubessem que estavam sendo contratadas. O corregedor da Aleri, deputado Délio Leal (PMDB), disse que investigará as nomeações de servidores comissionados fantasmas, assim que for acionado pela Justiça ou por algum parlamentar. Foi exatamente o que fez ontem o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Freixo protocolou um ofício, na corregedoria, pedindo instauração de uma sindicância para apurar o caso. Ele considerou de extrema gravidade o episódio no qual as vítimas são atraídas com a promessa de inscrição no programa Bolsa Família, do governo federal, e acabam nomeadas sem saber para cargos da Alerj, descobrindo depois que foram feitos dívidas e empréstimos bancários em seu nome:
– Já falei ontem (anteontem) com o deputado Délio Leal. A corregedoria pode e deve acompanhar o que está acontecendo. Quero que sejam apuradas as denúncias de envolvimento de parlamentares. Se isto for comprovado, é caso de quebra de decoro, com perda de mandato.
Três deputados têm nomes citados no caso. Outro que pediu apuração do escândalo foi o deputado Comte Bittencourt (PPS):
– O assunto tem que ser apurado energicamente.
Segundo a Aleri, as penalidades previstas para o caso variam de suspensão, advertência até a cassação do mandato. Duas vítimas do golpe foram nomeadas e exoneradas, meses depois, pelo deputado Edino Fonseca (PR). Uma terceira foi exonerada, em janeiro, pelo deputado João Peixoto (PSDC). Segundo as vítimas, os aliciadores diziam agir em nome da deputada Renata do Posto (PTB). Na semana passada, Edino alegou, através de sua assessoria, que fez as nomeações para atender a indicações políticas e que desconhecia se tratar de VÍtimas de fraude. João Peixoto foi procurado por dois dias por repórteres, mas o parlamentar não se pronunciou. Já Renata do Posto disse não ter autorizado ninguém a agir em seu nome e que pedirá que o Ministério Público apure o caso.