A Comissão Permanente de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) está em Campos para uma audiência pública onde será discutida a infraestrutura das escolas da rede estadual de ensino. O ato acontece na Câmara de Vereadores, às 14h, mas pela manhã está sendo realizada visita técnica em três colégios: Nilo Pessanha, Visconde do Rio Branco e Liceu de humanidades de Campos.
A visita conta com a presença do presidente da Comissão Permanente de Educação, deputado Comte Bittencourt, presidente Federação dos Estudantes de Campos (FEC), Maycon Maciel, que solicitou a audiência, o vereador Rafael Diniz, o ex-prefeito de Campos Sérgio Mendes e o representante da Coordenadoria Regional, José Alexandre Maron.
A primeira instituição a receber a equipe foi o Nilo Pessanha, onde as principais reclamações, que não são diferente das demais, foram falta de professores de física, química e biologia, profissionais de apoio, de carteiras e cadeiras, além de lanche intermediário, prioridade da colocação de ventiladores nas salas de aula e conservação dos bebedores, que estão quebrado. Esses motivos levaram os alunos a fazerem umamanifestação em frente à Coordenadoria Regional de Educação, em março deste ano. Aas mesmas reivindicações também culminaram e manifestações dos alunos do Liceu de Humanidades de Campos.
“Todas essas reclamações já haviam sido levadas até a direção da escola e a coordenadoria regional, mas nada foi feito. A direção da escola sempre alegou que a culpa era do Estado”, contou a Carolina Carvalho Machado, diretora de cultura do Grêmio Estudantil do Nilo Pessanha e aluna da escola há três anos.
Ela acrescentou que dentre os problemas, a falta de professor é o único que a direção da escola consegue resolver, fazendo compensações e substituições de aulas.
O deputado Comte Bittencourt explicou que a situação encontrada nas escolas é recorrente em todo o estado do Rio de Janeiro. “Estamos visitando algumas escolas, pois não dá para irmos a todas. Recebemos as demandas da cidade através da FEC e logo marcamos a audiência para ouvirmos os estudantes e fiscalizar as escolas, que é nossa obrigação”, disse Comte.
Segundo o deputado entre os problemas, os que mais chamaram a atenção foram a questão referente à merenda escolar e infraestrutura. “No ano passado o Estado encerrou as cantinas, mas não fez nada para compensar a alimentação dos alunos. Temos aqui crianças que chegam às 7h e só vão se alimentar às 12h30. É preciso que tenha um lanche intermediário, pois muitos acordam às 6h e não tem tempo nem de tomar o café da manhã. Esse lanche pode ser uma fruta, um suco com biscoito ou até mesmo um sanduiche, o que não pode são esses alunos ficarem tanto tempo sem se alimentar”, ressaltou.
Comte acrescentou ainda que no Nilo Pessanha a leitora de cartão para controle da merenda não funciona e isso custa dinheiro para o estado, que o laboratório de informática, do Setor de Tecnologia da Informação, está em condições precária e falta manutenção. “É um absurdo a direção da escola ter de solicitar a coordenadoria,que por sua vez precisa de submeter a Secretaria de Educação na capital para um técnico possa ser liberado para vir fazer a manutenção. Isso é perda de tempo”, declarou.
Outra constatação da Comissão Permanente de Educação foi a necessidade de apoio e a ausência de climatização no ambiente escolar. “O Estado terceirizou o serviço de apoio, mas não está sendo suficiente. Não tenho nada contra a terceirização, mas a Alerj defende o concurso público. Dessa forma acreditamos que o profissional de apoio se interage melhor com o projeto pedagógico da escola, já o terceirizado não cria vínculo”, disparou acrescentando que o Nilo Pessanha, assim como demais escolas que funcionam em prédios tombados pelo patrimônio histórico não são contemplados com o programa de climatização das escolas da rede estadual.
“Prédios tombados não foram beneficiado com o programa de climatização e as escolas que foram, não funciona. O programa de climatização pode ser estendido às escolas tombadas pelo patrimônio, desce que sejam respeitadas as suas características”, disse.
A comissão levará todos dos problemas identificados na visita técnica para serem debatidos na audiência pública na Câmara de Vereadores, que reunirá estudantes, professores, coordenadoria, Alerj e vereadores.
PROBLEMA EM TODAS AS ESCOLAS
Campos tem 51 escolas que pertencem a rede estadual de ensino. De acordo com o presidente da FEC, Maycon Maciel, as reclamações são extensivas a todas as escolas, sejam elas na esfera de infraestrutura ou do corpo de profissionais.
“É difícil imaginar um país sede da Copa das Confederações e Copa do Mundo, onde alunos da rede pública não tem acesso a uma quadra de esporte. Essa é a realidade da maioria das escolas. Tem quadras que os vergalhões estão expostos oferecendo riscos aos alunos. Sem falar que a questão da merenda, que teve venda proibida nas escolas e os estudantes que saem de casa muito cedo ficam muito tempo sem se alimentar”, disse.
Acompanhando a visita técnica, o representante da Coordenadoria Regional de Educação, José Alexandre Maron, disse estava lá na condição de participante. A coordenadoria vai ouvir as demandas expostas na audiência, analisar e responder por meio de sua assessoria.
“Fomos convidados pela FEC, mas estamos aqui na condição de participante. As demandas a serem debatidas serão respondidas pela assessoria depois de analisadas”, disse José Alexandre, que quando questionado sobre os problemas encontrados nas escolas, afirmou que tem conhecimento das reivindicações dos alunos e problemas estruturais, mas nada disse sobre o porquê de nenhuma medida ter sido adotada para resolvê-los.
Quanto ao problema da falta de professores, o vereador Rafael Diniz, disse que a grande dificuldade é a facilidade de os professores pedirem licença (no Estado são três por mês). “Isso dificulta a direção no controle de falta dos professores. A audiência é importante, pois podemos levantar com a comissão se o problema é do estado ou do município e assim tomarmos as medidas necessárias para que nossos estudantes tenham melhor educação, pois todos esses problemas comprometem o aprendizado”, disse.
A Coordenadoria Regional de Educação não permitiu que a imprensa fizesse imagens do interior das escolas durante a visita técnica.